Cases de tecnologia em gerenciamento para pecuária

Como uma dieta melhor pode trazer mais dinheiro?
Viemos há muitos anos investindo em genética, escolhendo os reprodutores com potencial para descendentes que produzem mais leite e com melhor qualidade, mas esquecemos que a nutrição determina se a bezerra irá expressar o potencial que carrega em seus genes. Mas quando falamos em comida de vaca enfrentamos muitas discussões no campo e ainda encontramos criadores que não tem um nutricionista para acompanhar a alimentação do seu plantel.
Mas de que forma a nutrição pode ser tão importante assim?
Não precisamos voltar muito no tempo para relembrar que as novilhas se tornavam vacas com quatro anos de idade, o que hoje não é mais tão comum pois, com 24 meses já deveriam estar produzindo leite. E aí se entra no tabu de que “as vacas produzem tanto leite porque se aplica hormônios”, conversa para boi dormir, isso sim!
O melhoramento genéticocontribuiu muito para produzirmos mais, com menos. Porém, o que se esquece é que a alimentação dos animais é quem irá definir se a novilha vai chegar aos 24 meses, pesando 500 a 550 kg (novilhas da raça holandesa) e com condições de parir e produzir leite. Isso será definido com a nutrição que esse animal irá receber já nas primeiras horas de vida, todos os cuidados devem ser tomados para que o objetivo seja alcançado. A nutrição dos animais jovens é importante, mas a nutrição das vacas é essencial e está diretamente ligada ao resultado.
Se tinha uma crença de que “as vacas aceitam tudo” (qualquer tipo de alimentação) e por este motivo usava-se resíduos nas formulações de dietas. Depois de décadas de estudos, hoje temos o conhecimento de que as vacas precisam de alimentos de boa qualidade, para produzirem um leite saudável. Mas vamos entender como isso impacta na qualidade do leite:
Uma alimentação adequada deve suprir as necessidades de energia, conter níveis de proteína adequados e fornecer as vitaminas e mineraisnecessários para cada fase em que os animais se encontram. Para balancear uma dieta é importante ter conhecimento de alguns fatores como: raça, produção, escore corporal dos animais, composição do leite, estágio de lactação e tempo de gestação, além de informações como a sanidade. A identificação desses pontos seria o primeiro passo para iniciarmos a formulação de uma dieta. Depois que temos essas informações em mãos, precisamos conhecer os alimentos que temos disponíveis e a qualidade dos mesmos, para formular dietas certeiras.
Vacas em lactação precisam de uma dieta com no mínimo 17% de fibra. As fibras são oriundas de alimentos volumosos, como: silagem, feno, pré-secados e pastagens, que geralmente tem baixa quantidade de energia e proteína. Os níveis de fibra são importantes pois irão interferir diretamente na quantidade de gordura do leite. O que ocorre é que, quando o animal ingere menos fibra do que deveria, diminui a ruminação e a produção de tamponante ocasionando uma redução no pH ruminal, o qual deveria se manteracima de 6,0. Essa redução no pH afeta a produção de ácido acético, que está diretamente ligado com a produção de gordura no leite. Mas não é somente a porcentagem de fibra que garante uma dieta de qualidade, precisamos disponibilizar fibra efetiva, a qual estimula a ruminação, uma vez que os alimentos estão triturados com partículas inferiores a 8 mm interferem no processo de ruminação.
Outro nutriente importante para as vacas é a proteína, que segundo o NRC (1989) deve corresponder de 17 a 18% da dieta. A proteína está ligada a diversas funções metabólicas, portanto se faz necessário fornecer adequadamente, mas o mais importante é que a proteína da dieta será utilizada pelos microrganismos ruminais e os mesmos servirão como fonte de aminoácidos, os quais apresentam o perfil de aminoácidos usados pela glândula mamária para produção de leite. A proteína microbiana representa em torno de 75% da proteína metabolizada pelas vacas e seu excesso na dieta afeta a qualidade do leite, uma vez que será eliminada na forma de nitrogênio uréico, e o mesmo deve se manter entre 12 a 17 ml/dl. Quando essa faixa é ultrapassada, problemas metabólicos podem surgir e afetar a reprodução, além de deixar os rebanhos mais susceptíveis a cetose.
Falamos de dois nutrientes para formular uma dieta e já podemos notar como a alimentação dos animas pode interferir na qualidade sem se falar na quantidade de leite, ambas diretamente associadas à renda do produtor. Alimentação é algo complexo e que necessita do acompanhamento de um profissional qualificado. Quer aumentar a produção do seu rebanho com saúde? Tenha um nutricionista para fazer isso para você, os ganhos valem muito.
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REFERÊNCIAS:
Leira, M. H. et al. Fatores que alteram a produção e a qualidade do leite: Revisão; PUBVET, v.12, n.5, a85, p.1-13, Mai., 2018;
KNORR, M.; O LEITE COMO INDICADOR NUTRICIONAL EM VACAS, UFRGS;